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O DISCRETO LUXO DA SIMPLICIDADE

Chapada Diamantina (57)

Chapada Diamantina (65)

 

Eduardo C., cirurgião plástico, conta como foram suas férias entre o campo, na Chapada Diamantina, e a praia, em Boipeba, ambas na Bahia. Desconectado da tirania do cotidiano, curtindo o sabor de comidinhas caseiras, apreciando as maravilhas da natureza quase intocada, ele e a mulher passaram dias inesquecíveis que deixaram saudade.

Tudo começou quando Claudia e eu escolhemos dividir nossas férias de duas semanas entre campo e praia. Férias rápidas mas ‘desconectadas’, contrariando a tirania do cotidiano. Após conversa pelo telefone (ele, sempre ele…) com a nossa já conhecida Fernanda, da Auroraeco, vaticinamos: tem de ser a Chapada Diamantina, com suas belas trilhas, e a seguir, a Ilha de Boipeba e suas praias ainda pouco exploradas.
A Chapada é superlativa. Fala por si. Sua natureza quase intocada ainda espera por pessoas dispostas a desafiar suas trilhas e descrevê-la com seus próprios adjetivos. Ela preenche todos os sentidos. Acordávamos cedo. Deixávamos para trás nas nossas pegadas o dia a dia na megalópole (somos paulistanos).
Paradoxalmente, esquecer é lembrar. Começamos a prestar atenção naquilo que realmente é importante: respirar, transpirar, onde comer, onde descansar…
Cachoeiras, rios, cavernas, pinturas rupestres, plantas, animais, gente boa com história e muitas histórias, comida simples e saborosa (a fome é um ótimo tempero).

 

Chapada Diamantina (81)

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Lembrei agora da minha mulher, que, caminhando à frente, com seu bom humor, olhou para mim e disse: ‘Essa não sou eu. Eu sou aquela, dos cabelos e unhas bem feitas…’ Mal sabe ela que casei com as duas!
Como ninguém é de ferro, retornamos a Salvador, cidade base da viagem, e fomos direto para a Ilha de Boipeba. Praias e mais praias.
A preocupação se dividia entre olhar a tábua das marés (pertinente, senão você fica preso a determinada praia) e a tradicional pergunta: ‘Onde foi mesmo que eu deixei as minhas Havaianas?’
Lá, encontramos um velho conhecido da ‘baixa gastronomia’, resistindo ano após ano à nouvelle cuisine, sua majestade, o fogão a lenha. Agora, decorado (ou melhor, condecorado) com lagostas, camarões, polvo ou uma bela moqueca.
Chega o último dia, acordamos.
Minha mulher me sorri e diz: ‘Já estou com saudade desta viagem. Quero voltar!’
Hora de fazer as malas. Lembro-me do Leminski:

‘Viajar me deixa
a alma rasa,
perto de tudo,
longe de casa.

Em casa, estava a vida,
aquela que, na viagem,
viajava, bela
e adormecida.

A vida viajava
mas não viajava eu,
que toda viagem
é feita só de partida’”

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