:: Principal :: Dezembro de 2007

 

Hospitalidade é
Uma xícara de chá na hora certa

Sara Povoas e Luiz Âmbar

Sempre ouvimos dizer que uma das máximas da hotelaria mundial é “Queremos que você se sinta em casa!”. Muitas vezes, entretanto, esse comprometimento não ultrapassa a barreira da intenção, ou mesmo da estratégia de comunicação do hotel. Isso ocorre porque essa tarefa não é tão fácil quanto parece. Se considerarmos que as referências e experiências com relação à sua própria casa são individuais, o conceito de “sentir-se em casa” torna-se bastante relativo e subjetivo. Poderíamos ir além e dizer que essa tarefa consiste em fazer com que o hóspede sinta-se no que imagina ser o seu próprio lar. O desafio maior consiste em surpreender o hóspede, e não apenas atingir as suas expectativas.

O propósito da viagem é um fator que influencia diretamente as expectativas do hóspede. Imagine-se chegando exausto ao hotel, após uma viagem de trabalho que mal começou e já parece interminável. Em outra ocasião, imagine-se chegando absolutamente eufórico a um hotel para passar alguns dias em viagem de lazer. O seu radar inconsciente será automaticamente acionado no momento em que você chegar ao local de hospedagem. O porteiro, o recepcionista, as instalações, tudo será alvo do seu olhar mais crítico, mesmo que você jamais tenha se dado conta disso.

Ao longo do trajeto até o seu quarto, você examina todos os detalhes, atento a todas as sensações que cada um dos ambientes lhe proporciona. Decoração, cores, odores... Todos os sentidos atentos e capturando cada detalhe. E quando a porta do apartamento se abre, inicia-se a maratona do check-list. Se a TV funcionar bem, o chuveiro for bom, a cama confortável e os funcionários educados, atenciosos e prestativos, o hotel não passará de aceitável na maioria das avaliações. Isso é o mínimo que se espera para que o hotel seja apenas aprovado. E é nessa hora que surge a pergunta: “De que mais eu preciso?”. O executivo terá uma lista razoável de solicitações que ele chamará de básicas; e o turista, o tal eufórico, terá outras tantas, certamente bastante diferentes. Aí está o desafio e a oportunidade de garantir que você receba algo que nem sequer havia imaginado, que não estava na sua lista, mas que passará a fazer parte dela naquele exato momento. Você tem de ser surpreendido!

Foi assim que nos sentimos quando chegamos em Cape Cod, Massachusetts, e nos hospedamos no Bed & Breakfast Belvedere, localizado no distrito histórico de Bass River Village. A propriedade, construída em 1828 pelo Capitão Elisha Baker, consta no Registro Nacional de Localidades Históricas dos Estados Unidos. Janelas, portas e piso originais, cores claras e agradáveis, conferem charme, tranqüilidade e personalidade ao lugar.

Chegamos às 21h, após um dia longo e cansativo. Fomos recebidos pelos simpáticos proprietários da casa, Sue e Robert Alexander, que pareciam ter cronometrado perfeitamente o tempo entre nos receber, nos familiarizar com o lugar e nos deixar descansar. Na casa construída em 1828, que oferece apenas três suítes exclusivas, cinnamon coffee cake & chocolate chip cookies nos aguardavam com um bom e quentíssimo chá. A lareira já acesa foi um convite para nos sentarmos e saboreá-los agradavelmente.

Na manhã seguinte, acordamos com o aroma do café e das calóricas e tradicionais panquecas, que comemos sem nenhuma culpa, acompanhadas do tradicional mapple syrup. Nosso café foi servido com a delicadeza e gentileza das pessoas que recebem amigos ou parentes em sua própria casa. Após saborear a deliciosa refeição impecavelmente servida, fomos convidados a conhecer mais sobre a história daquela propriedade e um pouco sobre o simpático e discretíssimo casal que tão bem a administra.

Nossa estada foi curtíssima, mas saímos de lá com a absoluta sensação de que naquelas poucas horas estivemos “em nosso lar”. Com esses poucos itens que representaram uma experiência tão agradável, o despretensioso Belvedere Bed & Breakfast passou a fazer parte da nossa lista de necessidades nas próximas viagens, assim como um coffee cake, um chá quente esperando, uma lareira acesa... Coisas básicas que marcam a boa e velha hospitalidade!

Sara Povoas é antiga profissional de hotelaria e hoje se dedica à filha de 6 anos. É esposa de Luiz Âmbar, vice-presidente do Sabre Travel Network para Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai

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