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O turismo brasileiro enfrenta um momento delicado com as conseqüências do apagão aéreo que se estende há quase um ano. Não cabe aqui apontar os culpados, mas é fato que esse problema, aliado a outros como a queda do dólar, tem causado redução na ocupação hoteleira e baixa na venda de pacotes que incluem transporte aéreo. O fenômeno foi sentido durante as férias escolares de julho, quando as famílias decidiram viajar para cidades mais próximas, optando por utilizar os próprios automóveis para fugir do estresse dos aeroportos. Com isso, deixaram de movimentar parte da cadeia turística. Mas nem tudo está em baixa no mercado aéreo nacional. Está confirmado para 1 de outubro o vôo inaugural da Emirates Airline ligando São Paulo a Dubai, o principal centro comercial dos Emirados Árabes Unidos. O diretor-geral da empresa no Brasil, Ralf Aasmann, conversou sobre os novos rumos da companhia com a editora da Host, Liana Amaral.
No mercado doméstico, o lado bom (ou menos mau) é que a crise acaba criando oportunidades para cidades mais próximas, no interior ou no litoral, que também têm potencial para o entretenimento. Segundo dados da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), a procura por hotéis localizados em um raio de até 400 quilômetros das grandes metrópoles aumentou 20% desde o final de 2006. A opção por outros modais de transporte também vem sendo muito discutida. Nunca se falou tanto em trens como atualmente para a solução dos problemas de transporte de passageiros. Para viagens de longo curso eles ainda são poucos, mas muitos projetos estão em estudo de viabilidade, como é o caso da ligação férrea entre São Paulo e Rio de Janeiro. Entretanto, para passeios curtos as opções de lazer sobre trilhos são muitas, como mostramos a partir da página 26.
E não é só o turismo de lazer que é impactado pela crise aérea. A capital econômica do país, São Paulo, também começa a sofrer seus efeitos. Mesmo tendo sua posição consolidada como o principal destino das Américas para o turismo de negócios, São Paulo deve estar alerta para que problemas comuns a uma metrópole – como ineficiência no transporte, trânsito e violência urbana, entre outros – não afetem a posição conquistada recentemente. A cidade se organiza para construir uma força política, social e econômica capaz de envolver a população e comprometer os sucessivos governos em busca de mais qualidade de vida, o que certamente terá reflexos para sua atividade turística. Confira as principais ações que estão sendo tomadas nesse sentido na reportagem “Desafios do tamanho de São Paulo”.
Deixando a crise um pouco de lado, esta edição traz detalhes de um inovador produto turístico brasileiro: os fortes e fortalezas militares que estão sendo revitalizados para visitação. Alguns já estão há algum tempo na lista de atrativos, como a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Santa Catarina. Aberta aos turistas desde 1984, a fortificação recebeu 120 mil turistas no ano passado. A atração por esses locais é inevitável, primeiramente pelo aspecto natural e contemplativo, visto que as construções estão em pontos do litoral de extrema beleza. Mas também há espaço para o turismo cultural e até mesmo para o ecoturismo. Além de ganhar em diversidade, apostar em novos produtos ajuda a formar novos elos na cadeia do turismo. Nesse caso, as reformas criam oportunidades para operadoras e geram empregos.
Boa leitura e oportunas reflexões.
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